Página Vermelha

26.2.07

Há várias formas de matar uma criança

“Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri’’

Chico Buarque

Maria Cláudia Cabral*

Nas últimas semanas muito se falou em violência urbana, diminuição da maioridade penal, crimes hediondos. Muito se falou da morte brutal de João Hélio, a criança de seis anos que foi arrastada por “monstros desalmados”. A violência do fato foi descrita com riqueza de detalhes, provocando indignação, condolências e revolta.

O povo bradou na rua por justiça, e mais de uma mãe chorou...

Mas há várias formas de matar uma criança. Formas silenciosas e lentas, maneiras diversas de se extirpar toda a inocência, a espontaneidade e a doçura desse ser delicado e frágil.

Freqüentemente elas são mortas ainda no berço, por asfixia afetiva. Outras, um pouco todos os dias, quando vêem na soleira da porta de casa um cadáver crivado de balas, expostas à violência das ruas e dos bêbados e ao assédio dos traficantes – geralmente seus heróis prediletos. Morrem quando, para colocar comida na mesa, suas mães têm de sair para trabalhar, deixando-as à própria sorte dia após dia. A ausência de um pai ou a presença de padrasto bêbado, que não raras vezes lhes arranca a infância por meio do abuso sexual, também é responsável por sua morte. Cenas da mãe violentada ou agredida bem diante de seus olhinhos já não tão infantis pouco a pouco vão matando sua infância. Muitas vezes também o uso do álcool, das drogas e do cigarro lhes tira a inocência.

É por essas e outras que temos nos acostumado a ver, nos sinais dos grandes centros urbanos, adultos de cinco anos de idade. Crianças mortas na calada dos dias que passam por nós sem fazer parte de nossas vidas. Essas mortes não contam, elas são silenciosas e não incomodam o sacrossanto cinema de domingo. Acostumamo-nos a elas. Para nos comover, a morte precisa ser sangrenta, violenta, precisa fazer barulho. Tem de provocar clamor social. A morte silenciosa e lenta das crianças abandonadas, destruídas pela miséria, pela ignorância, pelas drogas legais e ilegais não provoca clamor social, não nos indigna. Passamos por ela todos os dias com indiferença. Talvez não percebamos porque, embora aconteça em nossa cidade, não ocorre em nosso bairro ou em nossa rua. É mais fácil notar a morte apoteótica de uma de nossas crianças. As outras não sentem dor, as outras são bichinhos remelentos no semáforo, nas ruas, nas praças. Só as notamos quando arrastam um dos nossos por sete quilômetros, e, nesse instante, as chamamos de monstros.

Ainda assim, preferimos clamar por penas mais duras a olhar para nossa omissão cotidiana. Preferimos atitudes de forte efeito midiático, que mascaram o caos em que nossa sociedade se encontra e que nos deixam com a sensação de que fizemos nossa parte.

Sejamos honestos. Com o sistema prisional que temos, será que alterar o Código Penal, aumentar o período de prisão e diminuir a maioridade penal são soluções? Digo-lhes que provavelmente não. Na Alemanha, embora exista pena de prisão perpétua, um apenado não pode permanecer encarcerado além de quinze anos – metade do prazo máximo previsto no Código brasileiro – e a violência urbana naquele país não alcança os índices que o Brasil atinge. Então, pergunto: é uma questão de penas mais longas?

Queremos combater a violência ou afastá-la do campo de visão? É isso que fazemos com os filhos rebeldes que temos? Banimos do convívio social para que os vizinhos não os vejam? Para que não tenhamos de encarar nossa incapacidade de lidar com eles? É mais cômodo colocar os filhos rebeldes da pátria-mãe gentil encarcerados, excluídos do convívio social, amontoados em presídios fétidos, longe do olhar dos cidadãos de bem. Assim, afastamos o incômodo que nos causa a omissão cotidiana de todos nós. É necessário cuidado, nossa omissão tem matado crianças todos os dias. Ao afastá-las do convívio social saudável, matamos o resto de humanidade que ainda lhes resta, novamente de forma lenta e cruel.

Quando já não for mais possível arcar com os custos de manutenção dos apenados nos presídios, as bandeiras da pena de morte mais uma vez serão levantadas. E nós, cidadãos de bem, compactuaremos, então, com o assassínio daqueles que não se “enquadraram”, daqueles que não se adaptaram às regras. Destruindo em nós o resto de humanidade que nos resta.

Senhores, não há que se fazer reforma na legislação penal, há que se repensar o sistema de justiça penal no país, reconstruir. Mais que isso, urge diminuir as desigualdades sociais, força motriz da violência. É chegada a hora de pararmos de anestesiar a dor de perdas pontuais cuidando de sintomas e encararmos as causas dos males que nos afligem. Certamente será mais doloroso e lento, mas trará resultados duradouros. Quem sabe assim, nossos netos possam brincar nas ruas e nas praças sem risco de morte.


“...A nós ser humanos só foi dada essa maldita capacidade: transformar amor em nada’’
Paulo Leminsky

*Maria Cláudia Cabral é advogada, especialista em direito público e cooperação jurídica internacional

21.2.07

Ser ou não ser ecossocialista? Eis a questão (de sobrevivência)

Cada homem é um ser social e sua sobrevivência depende do meio ambiente que o cerca. Partindo dessas premissas, podemos concluir que as lutas sociais prescindem de lutas ambientais já que buscam o mesmo objetivo: a sadia qualidade de vida de todos.

Ana Echevenguá


Ser ou não ser Ecossocialista? Eis a questão (de sobrevivência)

Ana Echevenguá*

Embora a palavra 'Ecossocialismo' possa parecer inusitada, já a vivenciamos em nossas atividades mais comuns.

Acautelem-se os capitalistas de plantão: eu posso explicar!

Cada homem é um ser social e sua sobrevivência depende do meio ambiente que o cerca. Partindo dessas premissas, podemos concluir que as lutas sociais prescindem de lutas ambientais já que buscam o mesmo objetivo: a sadia qualidade de vida de todos.

Ecologista não é somente aquele que luta para defender a baleia franca, o sapo da Juréia ou Amazônia. Também se enquadra nesse grupo o que briga contra a fila do SUS e dos bancos, por praias limpas, pela proteção de áreas verdes, contra administradores públicos corruptos...

O desastre anunciado

Já há provas visíveis de que estamos destruindo a natureza que nos cerca. Isso comprova o que os ecochatos alardeiam desde o século passado: o homem está se matando ao matar o planeta.

De que provas falamos? Entre elas estão as tempestades tropicais que já assolaram várias regiões do mundo, resultantes do aquecimento global do planeta e das águas oceânicas.

Especialistas que tentam estabelecer prazo de carência para a destruição das espécies são unânimes em pregar a urgência para adoção de medidas que contenham a reiterada degradação ambiental que nos cerca.

As medidas até agora apresentadas são paliativas. Uma delas é o acordo denominado Protocolo de Kyoto cujo propósito é estabilizar o efeito estufa dentro de 10 ou 15 anos, com base no "mercado de carbono" ou "mercado do direito de poluir". Os países mais ricos podem dar continuidade às suas ações poluidoras - que não se restringe à sua base territorial - desde que comprem dos países pobres créditos de carbono.
Como se trata de um 'acordo de cavalheiros', adere a ele quem quer. Os Estados Unidos, país mais poluidor do mundo, ainda não o assinou porque entende que prejudicará sua economia.

Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos no governo de Bill Clinton (1993-2001), é um americano que critica a política capitalista americana. E continua sendo tratado como um visionário quando expõe a sua verdade inconveniente. Em seu livro e documentário do mesmo nome, mostra como o 'efeito estufa' está degelando as zonas glaciais e alterando o nível do mar que irá inundar cidades costeiras.

Mas quem não acredita em Papai Noel sabe que tanto o capitalismo como as experiências socialistas mundiais foram ecologicamente negativas também quanto ao trabalho como às formas de produção.
Mas estas experiências devem ser lembradas e estudadas como um caminho que não devemos seguir. "Nunc bene navigavi, cum naufragium feci", ou seja, "Há males que vêm por bem".

O Ecossocialismo

Não nos restam muitas alternativas para o enfrentamento da degradação ambiental. Ou descruzamos os braços e implementamos soluções práticas ou vamos morrer.

E uma das soluções pode ser a prática consciente do Ecossocialismo, uma corrente de pensamento que mescla algumas idéias socialistas sobre a lógica do capital com os avanços científicos da ciência ecológica. Marx deu ênfase à questão da ecologia ao afirmar, em O Capital, que o sistema capitalista esgota as forças do trabalhador e, em decorrência, as forças da Terra.

"O mundo de daqui a cinco décadas simplesmente não pode ser mantido com os atuais padrões de produção e consumo". "Uma ampla transformação - começando nos países ricos - será necessária para assegurar que os pobres tenham a oportunidade de participar e que o meio ambiente não seja danificado de uma forma que arruíne gradualmente as oportunidades do futuro." Estas palavras não foram extraídas de O Capital. Foram proferidas por Nicholas Stern, economista inglês, ex-economista-chefe do Banco Mundial, autor do "Relatório Stern" que afirma que o prejuízo com o aquecimento do planeta é muito maior do que se imagina. E faz um alerta urgente: "É preciso agir agora".


Quais os desdobramentos sociais e econômicos do Ecossocialismo?

As lutas com características ecossociais já grassam no nosso cotidiano. Elas ocorrem sempre que:

- a sociedade civil organizada investe contra indústrias poluidoras;
- o usuário do transporte coletivo exige que este serviço seja mais eficiente e barato: ele está também exigindo a redução da poluição do ar e sonora;
- o contribuinte exige implantação dos serviços de saneamento básico: ele sabe que o uso da água não tratada e a falta de tratamento de esgoto podem matar seu filho.

Assim como no romance 'O nome da rosa', de Umberto Eco, não devemos nos ater à problemática nominalista (capitalismo, bushismo, marxismo, socialismo, globalização, ...) que padece de qualquer importância quando estamos falando da sobrevivência do homem na Terra.


Soluções práticas

Se a proposta do Protocolo de Kyoto é insuficiente para conter o aquecimento global, o que nós - cidadãos comuns - podemos fazer?

Segundo o renomado engenheiro Thomas Fendel, podemos começar "incentivando e investindo em novas fontes de energia, especialmente as renováveis, bioenergias, energia solar, eólica, injeção de energia elétrica nas redes (ENEREDE)... Há provas irrefutáveis de que as atuais fontes de energia - fósseis e atômica - são nocivas e perigosas. As energias fósseis (petróleo, gás natural, carvão mineral) aumentam a concentração de CO2 atmosférico, promovendo o efeito estufa, enquanto as bioenergias (álcool, biogás, carvão vegetal, óleo vegetal, resíduos vegetais, lixo orgânico, etc) fazem exatamente o contrário, ou seja, promovem o efeito refrigerador, pois os correspondentes vegetais "comem" muito mais CO2 atmosférico do que o devolvido pelo uso das bioenergias".

Como o consumidor está priorizando adquirir produtos de empresas socialmente responsáveis, será fácil convencer os capitalistas que a prática do desenvolvimento sustentável é capaz de produzir lucro na hora da venda.

Esta é apenas uma das soluções.

Sem utopias, é preciso começar a implantar outras ações também salutares.

Mas não podemos proibir enchentes por decreto!!! Toda esta mudança carece da conscientização de que:

- precisamos agir agora porque, com esta crise que assola o planeta, a nossa geração e a geração dos nossos filhos e netos corre risco de vida;

- e que toda a luta - por menor que seja - é válida; ela pode começar na sua rua, no seu bairro, na sua cidade. Por exemplo, um diagnóstico ambiental pequeno que mostre como está o tratamento do lixo; quantas empresas poluidoras estão ativas na sua cidade; como está o tratamento do esgoto doméstico; quanta área verde ainda lhe resta?

* advogada ambientalista, coordenadora estadual do PSB Mulher/SC, coordenadora do programa televisivo Eco&Ação - Ecologia e Responsabilidade, e-mail: ana@ecoeacao.com.br

18.2.07

Feliz Carnaval povo brasileiro!

10.2.07

Lançada a 1ª Conferência sobre a questão da Mulher em Santa Catarina



Na noite de sexta-feira, dia 9 de fevereiro, no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Florianópolis, o Partido Comunista do Brasil lançou o processo de discussão de sua 1ª Conferência sobre a questão da Mulher.

A Conferência Nacional ocorrerá no final de março, mas antes ocorrerão as etapas municipais e estaduais, que elegerão delegadas e delegados ao encontro nacional.

Participei do lançamento, e na ocasião fiz uma intervenção ressaltando os seguintes pontos:

  1. o acerto do PCdoB em tornar esta discussão uma questão de partido. Na tradição da esquerda, as mulheres sempre se reuniram e discutiram de forma separada a problemática feminista. Ao optar por realizar este debate pelo conjunto do partido, a questão envolverá obrigatoriamente todo o coletivo;
  2. a necessidade de trazer as mulheres para a luta pelo socialismo se impõem, não apenas porque queremos estar lutando ao lado delas pelas transformações sociais, mas também porque do ponto de vista numérico (as mulheres são maioria no país) e pela sua participação na economia do Brasil, a participação delas no processo revolucionário é estratégica;
  3. afirmei que é possível ocorrer um processo revolucionário socialista sem as mulheres. Afirmo isso porque, na história das revoluções, de um modo geral a mulher não esteve à frente. Vide os casos da China, de Cuba, Vietnam, Angola, Moçambique, e mesmo na Rússia. Houveram lideranças mulheres? Sim. Mas numa desproporção descomunal em relação aos homens. Agora, seria um processo ideal? Claro que não! Acredito que, se durante o processo não se garante a participação das mulheres, que garantias teremos que após sua vitória isto ocorrerá?
  4. é necessário combater firmemente o machismo entre os militantes da esquerda. Não é admissível um militante comunista "jogar" a responsabilidade pela criação dos filhos para cima de sua companheira; ou agredi-la fisicamente; ou "usufruir" dos serviços de sexo pago, onde a mulher que está se prostituindo o faz justamente pelo processo de exclusão que sofreu pelo capitalismo;
  5. por último, citei Hegel, quando afirmou que "nada de grandioso se faz sem paixão". Se esta afirmação é válida para os projetos políticos, mais válido ainda é combinarmos esta paixão pela revolução com a paixão por nossas camaradas e, juntos, lutarmos apaixonadamente pela construção da nossa utopia.
E o debate está apenas começando...

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9.2.07

PCdoB assume a CCJ da Câmara de Florianópolis

O PCdoB, representado pela vereadora Ângela Albino, elegeu a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Vereadores de Florianópolis. É a primeira vez que um vereador do partido assume tal função.

A importância da CCJ é óbvia: por ela passam todos os projetos de lei, para o processo de verificação quanto à legalidade da matéria. Por essa razão, o prefeito Dário Berger (ainda PSDB), empenhou-se para derrotar a candidatura de Ângela. Mas perdeu por 3 votos a 2.

Com certeza o mandato da camarada, que já tem uma grande visibilidade na cidade, adquirirá ainda mais. Ângela já disse que pretende estimular a prática de projetos de iniciativa popular, o que certamente colocará os movimentos sociais da capital em outro patamar.

Para ler a matéria no jornal A Notícia, clique aqui.

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Lançamento da 1ª Conferência sobre a questão da Mulher em SC

Nesta sexta-feira, dia 9 de fevereiro, ocorre o lançamento em Santa Catarina da 1ª Conferência sobre a questão da Mulher. Será às 19h, no Plenarinho da Câmara de Vereadores de Florianópolis.

O evento é público, portanto aberto a todos e a todas que se interessem pela temática da luta emancipacionista da mulher.

A Conferência está mobilizando os comunistas de todo o país para os debates em torno do documento base do encontro e das diversas discuções e encaminhamentos da ação do PCdoB.

Na pauta da Conferência, além dos debates dos documentos aprovados pela Comissão Política Nacional do Comitê Central (CC) do PCdoB, está a constituição e eleição de um Fórum nacional permanente. As deliberações e encaminhamentos da Conferência precisam ser ratificadas pelo CC.

Todos estão convidados a participar da Conferência sobre a questão da mulher, sendo que a página do PCdoB na Internet dispõe de uma tribuna de debates - www.pcdob.org.br - com o objetivo de democratizar o processo de elaboração do coletivo partidário.

A Plenária Estadual da Conferência está prevista para ocorrer no dia 17 de março, em Florianópolis. Os comitês municipais do Partido estão agendando e mobilizando os militantes para as reuniões e plenárias da Conferência.

Você está convidado a se fazer presente e discutir conosco!

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Bloco de Esquerda, governo Lula e Nildão


Nesta quinta-feira, dia 8 de fevereiro, participei, pela primeira vez, de uma reunião de instância do PCdoB. Foi a reunião do partido de Florianópolis, que teve como assuntos estes temas atualmente em discussão: a eleição da presidência da Câmara dos Deputados, a formação do Bloco de Esquerda e a saída do camarada Nildão do PCdoB.

Primeiramente, faziam mais de 6 anos que não participava de uma reunião de discussão política. As últimas que participei foram no final de 2000, ainda em Porto Alegre, no PSB. Depois fui para o RJ, onde optei por não me envolver com o PSB de Garotinho/Rosinha, e depois, quando retornei para Santa Catarina, não presenciei nenhuma reunião de qualidade política no Partido Socialista Brasileiro de SC.

Foi uma feliz surpresa. Além da presença de cerca de 45 camaradas, houve uma intensa participação e intervenções de qualidade. Presente também na reunião o presidente estadual do partido, Jucélio Paladini, e a nossa vereadora Ângela Albino. Fiquei quietinho, só ouvindo, afinal, estou chegando e é bom saber ouvir e conhecer as pessoas que já estão fazendo a história do partido aqui há muito mais tempo.

Também me surpreenderam as intervenções, que em sua totalidade saudaram a formação do Bloco de Esquerda PCdoB-PSB-PDT. A nova postura do partido, sintetizada na frase "nosso compromisso é com o governo Lula, e não com o PT", parece ter ido de encontro ao sentimento da militância. Foi como que um "grito de liberdade", que deixou o partido mais à vontade para exercer seu papel de crítico construtivo do governo.

Foi unânime o sentimento de que o PCdoB deve se apresentar para a sociedade, disputá-la, colocar a "cara na rua", demarcar com o petismo e apresentar sua visão socialista. Acredito que de fato este é o caminho para construir e avançar a luta pelo socialismo no Brasil. Ainda mais que o PT está deixando um vácuo no campo da esquerda, ao aproximar-se cada vez mais do centro e da direita.

Em relação ao camarada Nildão, que não tive a oportunidade de conhecer, mas trata-se de destacada e histórica liderança do partido, com 26 anos de militância, ex-vereador, ex-candidato a vice-prefeito, foi lamentada a sua saída, mas também salientado que foi uma opção dele, de foro íntimo, e que as portas do partido estarão abertas, sempre, para ele.

Mas muitos camaradas também fizeram a observação de que não é a primeira vez que um fato como este ocorre, e portanto as razões para isso estão, ainda, no interior do partido, cabendo aos militantes a tarefa de discutir, descobrir onde estão as origens destes problemas, para que possam ser evitados.

Resumindo: gostei muito da reunião, e tenho ainda mais convicção de que fiz a melhor opção política que poderia ter feito. Antes tarde do que nunca!

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7.2.07

Bloco de esquerda pretende atuar junto também nas eleições

A acirrada disputa na base aliada, com a eleição do petista Arlindo Chinaglia (SP) presidente da Câmara, deixou como um de seus saldos a constituição de uma frente de esquerda que vem ocupando o espaço deixado pelo PT, que se aliou à centro-direita.

O bloco, uma idéia antiga, nasceu do conturbado processo eleitoral da Câmara, "mas veio para ficar", segundo seus integrantes. O objetivo é ganhar corpo para as eleições de 2008 e criar condições de lançar um nome próprio à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.

Formado pelos "vizinhos" PSB, PDT e PCdoB, além de outras três legendas (PAN, PMN e PHS), o grupo se contrapõe ao projeto petista de absorver partidos "satélites" com afinidade ideológica. "Agora, criamos nosso próprio sistema solar", disse o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "O PT conseguiu unir a esquerda, pelo menos a esquerda não-petista, em um bloco político poderoso", resumiu à Agência Reuters o deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

O bloco de esquerda conta com a representação de cinco governadores, 68 deputados e 8 senadores. Tem nas suas fileiras Ciro Gomes como um possível candidato à Presidência da República após o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na sociedade civil, controla a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a segunda maior central sindical do país, a Força Sindical. (esqueceram de citar a hegemonia desse bloco também na UBES e presença de 20 a 25% na direção da CUT)

A formação do grupo era um desejo antigo e remonta à eleição presidencial de 1989. Cogitado sempre em períodos eleitorais, acabou conquistando viabilidade após a divisão na base aliada com o lançamento de Chinaglia para o comando da Casa, contrapondo-se ao comunista Aldo Rebelo, derrotado em segundo turno por uma diferença de apenas 18 votos.

"Essa unidade talvez seja a coisa mais importante nessa brincadeira toda. A idéia é chegarmos juntos nas eleições de 2008 e 2010", contou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), vice-líder do bloco.

Chinaglia fez seu primeiro discurso como presidente da Câmara afirmando que as cizânias da eleição faziam parte do passado. Mas o PT, logo após o resultado do plenário, já calculava o tamanho do "problema".

"Eles vão ter que pedir licença", disse um importante político da frente de esquerda, muito amigo do presidente Lula, antevendo uma mudança nas relações entre o bloco e o PT.

O bloco foi criado originalmente como forma dos partidos assegurarem postos de destaque na mesa diretora da Casa e no comando de comissões permanentes (na verdade o bloco de esquerda já nasceu com intenções mais permanentes, indo muito além da questão da eleição da mesa). A reação de partidos de maior densidade numérica foi imediata. Com receio de perder cargos, PMDB, PT e mais seis partidos, incluindo as legendas protagonistas da crise do mensalão, uniram-se num superbloco de 273 deputados. A oposição formal fez o mesmo. Apesar do apoio a diferentes candidatos, PSDB e PFL juntaram-se ao PPS e constituíram uma terceira frente, esta com 153 parlamentares.

Neste dois casos, a aliança foi conjuntural e deve ser desfeita nos próximos dias. No entanto o bloco de esquerda, apostam seus integrantes, vai permanecer atuando em conjunto não só na Câmara mas nas próximas eleições. O peso simbólico do bloco é grande, dizem parlamentares do grupo, que consideram que sua formação demarcou fronteiras partidárias e empurrou o PT para partidos mais à direita.


Fonte: Imprensa do Portal PSB Nacional, com informações da Agência Reuters e alguns acréscimos meus

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Bloco de esquerda pretende atuar junto também nas eleições

A acirrada disputa na base aliada, com a eleição do petista Arlindo Chinaglia (SP) presidente da Câmara, deixou como um de seus saldos a constituição de uma frente de esquerda que vem ocupando o espaço deixado pelo PT, que se aliou à centro-direita.

O bloco, uma idéia antiga, nasceu do conturbado processo eleitoral da Câmara, "mas veio para ficar", segundo seus integrantes. O objetivo é ganhar corpo para as eleições de 2008 e criar condições de lançar um nome próprio à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010.

Formado pelos "vizinhos" PSB, PDT e PCdoB, além de outras três legendas (PAN, PMN e PHS), o grupo se contrapõe ao projeto petista de absorver partidos "satélites" com afinidade ideológica. "Agora, criamos nosso próprio sistema solar", disse o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "O PT conseguiu unir a esquerda, pelo menos a esquerda não-petista, em um bloco político poderoso", resumiu à Agência Reuters o deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

O bloco de esquerda conta com a representação de cinco governadores, 68 deputados e 8 senadores. Tem nas suas fileiras Ciro Gomes como um possível candidato à Presidência da República após o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na sociedade civil, controla a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a segunda maior central sindical do país, a Força Sindical. (esqueceram de citar a hegemonia desse bloco também na UBES e presença de 20 a 25% na direção da CUT)

A formação do grupo era um desejo antigo e remonta à eleição presidencial de 1989. Cogitado sempre em períodos eleitorais, acabou conquistando viabilidade após a divisão na base aliada com o lançamento de Chinaglia para o comando da Casa, contrapondo-se ao comunista Aldo Rebelo, derrotado em segundo turno por uma diferença de apenas 18 votos.

"Essa unidade talvez seja a coisa mais importante nessa brincadeira toda. A idéia é chegarmos juntos nas eleições de 2008 e 2010", contou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), vice-líder do bloco.

Chinaglia fez seu primeiro discurso como presidente da Câmara afirmando que as cizânias da eleição faziam parte do passado. Mas o PT, logo após o resultado do plenário, já calculava o tamanho do "problema".

"Eles vão ter que pedir licença", disse um importante político da frente de esquerda, muito amigo do presidente Lula, antevendo uma mudança nas relações entre o bloco e o PT.

O bloco foi criado originalmente como forma dos partidos assegurarem postos de destaque na mesa diretora da Casa e no comando de comissões permanentes (na verdade o bloco de esquerda já nasceu com intenções mais permanentes, indo muito além da questão da eleição da mesa). A reação de partidos de maior densidade numérica foi imediata. Com receio de perder cargos, PMDB, PT e mais seis partidos, incluindo as legendas protagonistas da crise do mensalão, uniram-se num superbloco de 273 deputados. A oposição formal fez o mesmo. Apesar do apoio a diferentes candidatos, PSDB e PFL juntaram-se ao PPS e constituíram uma terceira frente, esta com 153 parlamentares.

Neste dois casos, a aliança foi conjuntural e deve ser desfeita nos próximos dias. No entanto o bloco de esquerda, apostam seus integrantes, vai permanecer atuando em conjunto não só na Câmara mas nas próximas eleições. O peso simbólico do bloco é grande, dizem parlamentares do grupo, que consideram que sua formação demarcou fronteiras partidárias e empurrou o PT para partidos mais à direita.


Fonte: Imprensa do Portal PSB Nacional, com informações da Agência Reuters e alguns acréscimos meus

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2.2.07

E o PT oPTou

Concluído o processo de disputa na Câmara Federal, e eleito o deputado Arlindo Chinaglia (agora é "Quinália"), o PT deixa claro qual é seu bloco central de alianças: o PMDB, PP, PR e PTB.

Durante todo este processo, o PT buscou isolar e constranger a candidatura de Aldo Rebelo, chegando ao ponto de propor que ele se retirasse da disputa. Como não conseguiu, partiu para uma ação mais ofensiva, prometendo sabe-se lá o que para garantir sua vitória.

É um indicativo grave e triste para o início deste segundo governo Lula. Mostra que o Partido dos Trabalhadores nada aprendeu nos últimos quatro anos. Pior, mostra quem são os parceiros eleitos pelo PT para conduzir o processo de mudanças que o Brasil precisa. A pergunta que me faço é se essa opção petista irá apontar no caminho das mudanças...

O saldo positivo é a formação do bloco PCdoB, PSB e PDT, comunistas, socialistas e trabalhistas. Correntes com história e enraizamento na sociedade brasileira. Certamente este bloco não foi formado apenas para esta disputa, e tem tudo para se constituir como o núcleo de esquerda da chamada base governista.

Seria ingenuidade imaginar que isso não afete as relações entre este bloco e o PT. Claro que os dirigentes, até por educação, irão negar e dizer que tudo segue como era antes. Mas sabemos que um copo, depois que se quebra, mesmo que seja novamente reconstruído, jamais voltará a ser o mesmo copo. E o nome do copo, na política, se chama confiança.

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