Página Vermelha

22.10.06

Carta aos que ficam


Esta é a última vez que me dirijo aos companheiros e companheiras do PSB catarinense. De hoje em diante, certamente ainda encontrarei com muitos de vocês - principalmente com aqueles que seguirem pelo caminho da esquerda - mas não me farei mais presente nos eventos partidários.

Estou deixando, formalmente, o Partido Socialista Brasileiro. É uma decisão difícil de tomar, mas não me resta outra opção. O mais correto seria dizer que o PSB me deixou. Pode parecer estranho e talvez até pretensioso, mas é verdade. O PSB em Santa Catarina não representa absolutamente nada, nenhuma das razões que me levaram um dia, há vinte anos atrás, a me filiar ao pensamento de esquerda: companheirismo, solidariedade, ideologia, democracia, socialismo.

Estas palavras soam desgraçadamente estranhas dentro do PSB catarinense. O partido se constitui aqui em Santa Catarina em uma figura deformada do PSB nacional. Ocorreu um processo de privatização que aniquilou com o que restava da estrutura partidária. Hoje, temos uma executiva empresarial, formada por funcionários do presidente estadual. Uma direção que não discute política, que não organiza, que não promove o crescimento partidário, que não estimula a formação política. Que não possui nenhum vínculo com a esquerda e tampouco com a história do Partido Socialista Brasileiro.

Hoje, os objetivos do PSB são estranhos à causa socialista. Quando presenciamos, durante uma campanha eleitoral, o PSB apresentar um programa de governo encomendado, comprado, ao invés de construído através da discussão partidária, é porque realmente tudo vai muito mal. Quando presenciamos, pela imprensa, a negociação de cargos em uma aliança de direita, somos obrigados a concluir que restou de socialismo neste partido apenas uma palavra na sigla.

Quando acompanhamos pedidos de expulsão de companheiros que ainda acreditam no socialismo, pelo simples fato de discordarem da direção imposta ao PSB, é porque a chama do socialismo já se apagou neste partido.

Não há mais o que fazer no PSB. Tornou-se mera sigla, legenda de aluguel a ser negociada em eleições, em troca da obtenção de cargos e favorecimentos. Perdeu completamente seu rumo.

Acredito que um dia, no futuro, a direção nacional do Partido Socialista Brasileiro há de mudar essa situação. Certamente fará isso, quando a situação chegar a um ponto insuportável. Mas não estou disposto a esperar até este dia.

Vou dedicar o meu tempo, a minha vontade, minhas forças, na construção de um projeto democrático, popular, de esquerda e socialista para Santa Catarina. Afinal, a vida e a luta continuam!

Saudações socialistas,


Wladimir Crippa


11.10.06

Manifesto em defesa do PSB em SC

Caros companheiros,

Segue abaixo manifesto lançado pelo deputado Sérgio Godinho, o qual endosso plenamente.

Saudações Socialistas,

Wladimir Crippa
1º Secretário da Executiva do
PSB de Florianópolis

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O Partido Socialista Brasileiro encontra-se, em Santa Catarina, diante de um momento decisivo. Mais uma vez nosso nome, nossa sigla, nosso passado e nossa história estão sendo colocados a serviço de interesses estranhos à causa socialista. E dessa vez, além desses estranhos interesses, o Partido Socialista Brasileiro está sendo posto a serviço da direita e de suas oligarquias.

Sem consultar a militância socialista, o presidente estadual do PSB, Antonio Carlos Sontag, comprometeu o Partido ao declarar apoio ao candidato do PMDB-PFL-PSDB, Luis Henrique da Silveira. Este mesmo Luis Henrique que apóia e faz campanha, abertamente, para Geraldo Alckmin.

O Partido Socialista Brasileiro tem posição. Desde o primeiro turno apóia LULA para presidente. Por motivos desconhecidos, a candidatura de Sontag já não se empenhou na eleição de LULA desde o primeiro momento. E agora, no momento decisivo do segundo turno, além de não apoiar LULA, Sontag ainda declara apoio e voto em um candidato comprometido com o candidato do neoliberalismo e das privatizações, o candidato da direita, Luis Henrique.

Sontag tomou esta decisão à revelia das instâncias partidárias. Não realizou convocação formal da Executiva Estadual, não convocou o líder do PSB na Assembléia Legislativa, Deputado Sérgio Godinho; não realizou reunião do Diretório Estadual; não realizou um processo de consulta aos Diretórios Municipais, Vereadores e demais lideranças socialistas. Carece, portanto, de legitimidade política e, do ponto de vista da legalidade partidária, seus atos são nulos.

Diante destes fatos, só resta uma alternativa para aqueles que querem se manter coerentes com a história do PSB. Só resta uma alternativa para aqueles que não aceitam e não assistirão, calados, o PSB se transformar em mais um "bom negócio": resistir, lutar, indignar-se e se levantar contra esta tentativa de desvio dos compromissos históricos dos socialistas.

Por isso, o Deputado Sérgio Godinho, juntamente com dezenas de lideranças do PSB em todo o Estado, declara sua posição de apoio às candidaturas de AMIN para Governador de Santa Catarina, e reafirma o apoio à candidatura de LULA para Presidente.

O PP apóia LULA em praticamente todo o Brasil, e embora AMIN não tenha declarado abertamente apoio a LULA, sua candidatura não tem impedido aqueles filiados, lideranças e prefeitos do PP - e são muitos - de apoiar LULA. Além disso, sua candidatura não sustenta e não serve de palanque para Geraldo Alckmin - ao contrário da candidatura de Luis Henrique.

Por isso, a candidatura de AMIN é a que mais pode contribuir, objetivamente, para atingir o objetivo principal do Partido Socialista Brasileiro neste momento: a reeleição do Presidente LULA.

Conclamamos todos os dirigentes partidários, vereadores, lideranças populares, filiados que não concordam com esse posicionamento pessoal de Sontag que adotem e referendem a posição da maioria dissidente. Agora é a hora de fazermos ser ouvida a voz da militância socialista, dos dirigentes partidários, dos homens e mulheres que constróem, de fato, o PSB em Santa Catarina.

Deputado Sérgio Godinho, líder do PSB

3.10.06

A cláusula de barreira é uma barreira para a democracia

Nestas eleições está sendo implementada, pela primeira vez, a chamada cláusula de barreira. Muitos dizem, exagerando, que ela tem por objetivo extinguir os partidos que, supostamente, seriam legendas de aluguel.

Na verdade ela não extingue aqueles partidos que não obtiverem pelo menos 5% dos votos válidos em todo o Brasil, e no mínimo 2% em 9 estados. Mas certamente ela cria dificuldades para a manutenção destes partidos, pois reduz drasticamente os recursos do fundo partidário e concede um tempo simbólico na TV, além de impedir que parlamentares destes partidos, em qualquer nível (vereador, deputado estadual ou federal) possam fazer parte de comissões.

A idéia, ao se adotar este mecanismo, seria acabar com as legendas de aluguel. Entratanto, a implementação da cláusula não assegura de maneira alguma que isso ocorrerá.

Se formos analisar, veremos que esta prática ocorre com mais intensidade justamente nos grandes partidos, onde conhecidos "figurões" filiam-se e desfiliam-se de acordo com o momento político - ou seria melhor dizer de acordo com o político do momento que esteja no executivo.

Assim, vemos um Delfim Neto trocar o PP pelo PMDB; um Itamar ora entrando, ora saindo no PMDB; um Garotinho pulando do PDT para o PSB, do PSB para o PMDB, do PMDB para... nem sei para onde ele pulou da última vez!

Já os partidos menores, em sua maioria, são justamente aqueles que apresentam uma maior identidade ideológica. Vejamos por exemplo o caso do PCdoB, que conseguiu obter 2% dos votos em 9 estados, mas pouco mais de 2% a nível nacional. Sabidamente trata-se de um partido ideológico, onde não vemos o aluguel da sigla. Entretanto, foi atingido pela cláusula.

O mesmo ocorre com o novo PSOL, que também não superou a cláusula, mas também não é uma sigla de aluguel. Ou o PPS, herdeiro do PCB, um partido com décadas de história, e que agora cai na vala comum dos partidos que seriam siglas de aluguel.

A cláusula de barreira dessa forma constitui-se como uma grande barreira para a democracia, dificultando o crescimento dos partidos ideológicos. O que precisa ser feito é uma grande reforma político-partidária, instituindo a fidelidade, o financiamento público de campanha, a perda de mandato para quem abandonar ou trocar de partido.

Aí sim estaremos caminhando para construir uma democracia real, com partidos reais.