Página Vermelha

29.12.06

Para onde irão nossos companheiros?

Li esta notícia no Diário Catarinense de 28 de dezembro de 2006:

Presidente do PSB de Timbó entrega cargo

Descontente com os rumos tomados pela legenda nos últimos meses, o presidente do diretório municipal do PSB de Timbó, Sidney Reinhold, deixou o cargo e pediu desfiliação da sigla. Um dos motivos apontados por Reinhold foi a falta de apoio e as brigas internas.

- Nos tornamos uma sigla de oportunismo eleitoreiro - destacou.

Como é sabido, não faço mais parte do PSB. Militei no Partido Socialista Brasileiro de 1998 até outubro deste ano. Fiz parte da Executiva Municipal de Porto Alegre, fui Secretário de Juventude também na capital gaúcha (a JSB) e integrei, como Primeiro Secretário, a Executiva de Florianópolis.

Por isso, acompanho com tristeza o desenrolar dos fatos no PSB catarinense. Um partido que conta, ainda, com sinceros militantes socialistas, mas que, dirigidos por uma Executiva Estadual que "privatizou" o partido, vêem-se, a cada dia, em uma situação mais desconfortável.

Um partido que, aqui no Estado, não fez campanha para Lula; no 2º turno, somou-se à Luiz Henrique, Leonel Pavan e Jorge Bornhausen; e pra fechar com "chave de ouro", indicou para o melhor cargo que poderia obter no governo estadual (poderia, mas não vai) um fundador do PFL, ex-deputado estadual por este partido.

É uma lástima... mas lembro a estes companheiros que há, felizmente, outras alternativas sérias e de esquerda em nosso Estado.

Saudações revolucionárias e socialistas a todos estes bravos lutadores!

20.12.06

Vozes do PSB contra o reajuste do Parlaumento

O Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou o reajuste de 90,7% nos salários dos parlamentares, que foi concedido pelas Mesas da Câmara e o Senado, por meio de decreto legislativo. Com isso, o Congresso Nacional deverá fazer uma nova proposta, que será votada pelos plenários das duas Casas. A decisão do STF foi tomada em função do mandado de segurança apresentado por alguns parlamentares, entre eles Renato Casagrande(ES) e Luiza Erundina(SP), ambos do PSB. Para os socialistas, a decisão dará oportunidade ao Congresso Nacional de rever um ato que foi rejeitado pela sociedade, pois o impasse em torno da remuneração implica também no desequilíbrio nas contas públicas, visto que o aumento seria seguido pelos estados e municípios. Erundina considerou o aumento arbitrário, uma vez que a bancada não foi ouvida sobre esse assunto polêmico. “Esta foi uma medida impopular, injusta e revoltante. Por isso, ingressamos no STF para derrubar esse reajuste ”, resumiu.
Renato Casagrande concordou com a sugestão dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de fixar uma correção pelo índice da inflação. “Um aumento de 90,7% não pode ser aceito com naturalidade, nem pela sociedade nem por nós parlamentares. Com o mandato de segurança que nós impetramos e tivemos sucesso, esperamos que o Congresso seja coerente com o seu papel de representante do povo”, defendeu . Em relação ao pronunciamento do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), que disse que o reajuste seria fundamentado em cortes em torno de R$157 milhões, provenientes da redução de despesas com funcionários e de outras deliberações da Mesa, Casagrande insistiu que não se trata apenas de ajustes orçamentários, mas da credibilidade da Instituição.
“O salário proposto por uma decisão administrativa das duas Mesas, mesmo que possa ser enquadrada no orçamento, não se enquadra na política. O que o Congresso precisa é recuperar sua credibilidade. A questão maior que deve ser levada em conta é a representatividade que nós temos que ter junto à sociedade”, disse.
Liderança do PSB na Câmara dos Deputados

18.12.06

Nosso tempo (Carlos Drummond de Andrade)

Este é tempo de partido,

tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,

viajamos e nos colorimos.

A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.

Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.

As leis não bastam. Os lírios não nascem

da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.

Onde te ocultas, precária síntese,

penhor de meu sono, luz

dormindo acesa na varanda?

Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo

sobe ao ombro para contar-me

a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.

As coisas talvez melhorem.

São tão fortes as coisas!

Mas eu não sou as coisas e me revolto.

Tenho palavras em mim buscando canal,

são roucas e duras,

irritadas, enérgicas,

comprimidas há tanto tempo,

perderam o sentido, apenas querem explodir.

II

Este é tempo de divisas,

tempo de gente cortada.

De mãos viajando sem braços,

obscenos gestos avulsos.

Mudou-se a rua da infância.

E o vestido vermelho

Vermelho

cobre a nudez do amor,

ao relento, no vale.

Símbolos obscuros se multiplicam.

Guerra, verdade, flores?

Dos laboratórios platônicos mobilizados

vem um sopro que cresta as faces

e dissipa, na praia, as palavras.

A escuridão estende-se mas não elimina

o sucedâneo da estrela nas mãos.

Certas partes de nós como brilham! São unhas,

anéis, pérolas, cigarros, lanternas,

são partes mais íntimas,

a pulsação, o ofego,

e o ar da noite é o estritamente necessário

para continuar, e continuamos.

III

E continuamos. É tempo de muletas.

Tempo de mortos faladores

e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,

mas ainda é tempo de viver e contar.

Certas histórias não se perderam.

Conheço bem esta casa,

pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,

a sala grande conduz a quartos terríveis,

como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,

conduz à copa de frutas ácidas,

ao claro jardim central, à água

que goteja e segreda

o incesto, a bênção, a partida,

conduz às celas fechadas, que contêm:

papéis?

crimes?

moedas?

o conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiador urbano,

ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,

moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,

pessoas e coisas enigmáticas, contai,

capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;

velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;

ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da costureira, luto no braço, pombas, cães errântes, animais caçados, contai.

Tudo tão difícil depois que vos calastes...

E muitos de vós nunca se abriram.

IV

É tempo de meio silêncio,

de boca gelada e murmúrio,

palavra indireta, aviso

na esquina. Tempo de cinco sentidos

num só. O espião janta conosco.

É tempo de cortinas pardas,

de céu neutro, política

na maçã, no santo, no gozo,

amor e desamor, cólera

branda, gim com água tônica,

olhos pintados,

dentes de vidro,

grotesca língua torcida.

A isso chamamos: balanço.

No beco,

apenas um muro,

sobre ele a polícia.

No céu da propaganda

aves anunciam

a glória.

No quarto,

irrisão e três colarinhos sujos.

V

Escuta a hora formidável do almoço

na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.

As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.

Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!

Os subterrâneos da tome choram caldo de sopa,

olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.

Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,

mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.

Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.

Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,

vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,

toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.

Homem depois de homem, mulher, criança, homem,

roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,

homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem

imaginam esperar qualquer coisa,

e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,

últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,

já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.

Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,

o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,

com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,

escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,

errar em objetos remotos e, sob eles soterrado sem dor,

confiar-se ao que-bem-me-importa

do sono.

Escuta o horrível emprego do dia

em todos os países de fala humana,

a falsificação das palavras pingando nos jornais,

o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,

os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,

a constelação das formigas e usurários,

a má poesia, o mau romance,

os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,

o homem feio, de mortal feiúra,

passeando de bote

num sinistro crepúsculo de sábado.

VI

Nos porões da família,

orquídeas e opções

de compra e desquite.

A gravidez elétrica

já não traz delíquios.

Crianças alérgicas

trocam-se; reformam-se.

Há uma implacável

guerra às baratas.

Contam-se histórias

por correspondência.

A mesa reúne

um copo, uma faca,

e a cama devora

tua solidão.

Salva-se a honra

e a herança do gado.

VII

Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos

para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,

dores de classe, de sangrenta fúria

e plácido rosto. E há. mínimos

bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,

lesões que nenhum governo autoriza,

não obstante doem,

melancolias insubornáveis,

ira, reprovação, desgosto

desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.

Há o pranto no teatro,

no palco? no público? nas poltronas?

há sobretudo o pranto no teatro,

já tarde, já confuso,

ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,

vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,

vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,

e secar ao sol, em poça amarga.

E dentro do pranto minha face trocista,

meu olho que ri e despreza,

minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,

que polui a essência mesma dos diamantes.

VIII

O poeta

declina de toda responsabilidade

na marcha do mundo capitalista

e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas

promete ajudar

a destruí-lo

como uma pedreira, uma floresta,

um verme.

15.12.06

O que é isso companheiro?

Nosso presidente Lula encerra a semana com mais uma declaração polêmica. No início da semana ele já havia dito que uma pessoa idosa, e de esquerda, certamente tem algum problema, querendo com isso nos convencer de que a posição correta de uma pessoa de meia idade é ser de centro. O que dizer de João Amazonas, Leonel Brizola, Luis Carlos Prestes, Miguel Arraes, Oscar Niemayer, Fidel Castro...

Agora, ele encerra a semana afirmando que a ditadura no Brasil não foi tão dura como nos demais países. O que é isso companheiro!

Para completar, Lula ainda afirmou isso justamente no dia em que lembramos os 30 anos da chacina da Lapa, onde dirigentes do Comitê Central do PCdoB foram presos, torturados e mortos. E ainda disse isso ao inaugurar o Museu Honestino Guimarães, outro militante comunista da Ação Popular que até hoje é dado como "desaparecido".

Não sei onde Lula quer chegar com essas suas declarações. Até o momento, o que ele tem conseguido mostrar é que não conhece a história recente de nosso país; que desconhece aqueles que lutaram, deram suas vidas para que vivêssemos hoje em uma democracia, em um Estado de Direito, que possibilitou que ele, Lula, chegasse à presidência por duas vezes.

Lula, nós te reelegemos pra deixá-lo trabalhar, então, por favor, trabalhe mais e fale menos, com todo o respeito.

11.12.06

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)



Chegou o dia, morreu o tirano. É uma pena que tenha demorado tanto...

7.12.06

Ainda tem dúvidas que o capitalismo precisa ser superado? Leia esta notícia abaixo

Quase metade da riqueza do mundo está concentrada com 1% da população

SÃO PAULO - Para sair da metade da população mundial que representa os mais pobres do planeta, é necessário um patrimônio líquido de aproximadamente US$ 2.200,00 por adulto na família.

A informação consta em estudo da Universidade das Nações Unidas, órgão da ONU, que foi divulgado nesta terça-feira (05).

Desigualdade de distribuição

De acordo com o levantamento, cerca de 40% de toda a riqueza global está concentrada nas mãos de 1% das pessoas consideradas ricas no planeta. Na outra ponta, a metade mais pobre da população mundial é dona de 1% da riqueza.

O estudo leva em consideração os principais componentes do local, como ativos e passivos financeiros, terra, prédios e outras propriedades, envolvendo todos os países do mundo.

Segundo o levantamento, em 2000, um casal precisava de um patrimônio de US$ 1 milhão para estar entre o 1% de mais ricos do mundo, grupo que reúne 37 milhões de pessoas.

Mais ricos estão na América do Norte

Apesar de que os países da América do Norte só possuem 6% da população adulta mundial, 34% da riqueza está concentrada na região. Em seguida, aparecem Europa e as nações mais desenvolvidas da Ásia e Pacífico, onde a população, junto com a América do Norte, soma 90% do total da riqueza global.

Por outro lado, a riqueza dos habitantes da África, China, Índia e outros países com menos investimentos da Ásia é consideravelmente menor na comparação com o tamanho da população.

4.12.06

Viva Chávez! Viva o povo venezuelano!

Mais uma derrota para Bush engolir. Definitivamente, este final de ano não vai ser muito comemorado na Casa Branca. Nos últimos dias George filho teve que assistir a derrota de seus candidatos na Nicarágua, no Equador e, agora, na Venezuela.

Hugo Chávez venceu as eleições de forma inquestionável. Nem mesmo o principal candidato derrotado ousou questionar o resultado. "Nós reconhecemos que hoje nos venceram", disse o candidato da direita Rosales.

Esta vitória tem um gosto especial, pois o empenho da Casa Branca em desestabilizar o governo venezuelano é público. Quem não recorda quando, por ocasião da tentativa de golpe, o governo estadunidense foi o primeiro a reconhecer o "novo" governo golpista?

Depois, houve a tentativa de revogar o mandato de Chávez através do plebiscito. Mais uma vez, de forma democrática, o povo decidiu que o presidente deveria continuar seu mandato até o final.

E agora, o coroamento e reconhecimento da política social que está sendo implementada na Venezuela, com a reeleição de Hugo Chávez.

A promesse, agora, é de aprofundar a revolução socialista e seguir combatendo o imperialismo norte-americano.

Vitória do povo, vitória da democracia, vitória do socialismo!