Página Vermelha

25.2.06

PT: o peixe morre pela boca...

Acompanhei pela imprensa nos últimos dias a disputa interna no PT catarinense. Embora o presidente estadual do PT tente passar a idéia de que tudo vai bem, e que não existe uma disputa, é evidente que isto não é verdade.

Ao optar pela via burocrática para "eliminar" a Senadora Ideli, o "campo majoritário de esquerda" em Santa Catarina expressa as suas concepções socialistas anti-democráticas. Sim, pois assim como existem pessoas com posicionamento político conservador, porém com compromisso com a democracia, existem muitos setores com posições de esquerda, porém descompromissados com a democracia enquanto um valor universal.

Para estes setores não importam os meios, e sim os fins, os seus objetivos, as suas razões, sejam elas de Estado ou de partido.

A lógica da disputa interna no PT está em grande parte baseada neste conceito.

Aplicando esta visão, Ideli representaria a "direita", os setores petistas que estão a serviço do FMI, dos banqueiros, do grande empresariado. Portanto, precisa ser derrotada. Não importa se é uma Senadora, a figura de maior destaque do PT no estado, o único nome petista eleitoralmente viável. Importa é que a "esquerda do PT" vença, imponha uma derrota sobre a "direita".

Outra prática decorrente desta concepção é que os dirigentes partidários tendem a decidir pela base, falar por ela, sem consultá-la.

As prévias no PT são um dos momentos em que os filiados se expressam, sem uma ingerência tão grande das suas tendências. É um processo onde quem é minoria dentro do PT, mas tem suas posições políticas respaldadas na sociedade, pode virar o jogo.

Foi o que ocorreu no PT gaúcho em 2002, onde a esquerda petista controlava a máquina partidária, e mesmo assim não pôde impedir a derrota do então Governador Olívio Dutra para Tarso Genro nas prévias.

Talvez por isso a direção do PT catarinense tenha optado pela burocracia, e não pela política, para realizar as suas razões de partido. Garantiu no tapetão a escolha do Ministro da Pesca José Fritsch para concorrer a Governador. Mas diz a sabedoria popular: “o peixe morre pela boca...”

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